De acordo com a BBC, "um surto do vírus mortal Nipah no estado indiano de Bengala Ocidental fez soar os alarmes na Ásia e alguns países estão já a reforçar as medidas de rastreio nos aeroportos. Cinco profissionais de saúde em Bengala Ocidental foram infetados pelo vírus no início de janeiro e um deles encontra-se em estado crítico".
O vírus Nipah é um agente patogénico raro, mas extremamente perigoso, identificado pela primeira vez em 1998, na Malásia. Pertence à família Paramyxoviridae e é considerado pela Organização Mundial da Saúde como um dos vírus com maior potencial pandémico, devido à sua elevada taxa de mortalidade e à ausência de tratamento específico ou vacina aprovada para uso humano.
O principal reservatório natural do vírus Nipah são os morcegos frugívoros do género Pteropus, também conhecidos como raposas-voadoras. A transmissão para humanos pode ocorrer de forma direta, através do contacto com secreções destes animais, ou de forma indireta, por meio do consumo de alimentos contaminados, como frutos ou seiva de palmeira crua. O vírus pode ainda propagar-se de pessoa para pessoa, sobretudo em ambientes hospitalares ou em contactos próximos, o que aumenta o risco de surtos localizados. A Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou o vírus entre as dez doenças prioritárias!
Os sintomas iniciais da infeção são geralmente inespecíficos e podem incluir febre, dores de cabeça, fadiga, náuseas e dores musculares, o que dificulta o diagnóstico precoce. Em muitos casos, a doença evolui rapidamente para manifestações graves, como dificuldades respiratórias, convulsões, encefalite (inflamação do cérebro) e coma. A taxa de mortalidade pode variar entre 40% e 75%, dependendo do surto e da capacidade de resposta dos serviços de saúde. O período de incubação varia entre quatro e 14 dias.
Atualmente, o tratamento limita-se a cuidados de suporte, como controlo dos sintomas e apoio respiratório. A prevenção continua a ser a principal arma contra o vírus Nipah, passando por medidas como evitar o consumo de produtos potencialmente contaminados, reforçar a vigilância epidemiológica e garantir práticas rigorosas de controlo de infeção em unidades de saúde.