O jovem ator de 23 anos tem sofrido agressões e o preconceito ao longo da vida. Agora, no programa “Dona da Casa” da Antena 3, Tomás Taborda contou vários episódios motivos pela sua orientação sexual. “Antes sequer de eu me identificar com o que quer que fosse já era chamado de mil e uma coisas quando era mais novo. Sempre em tom negativo e pejorativo. Usavam gay como insulto. E muitas vezes não era só dos meus colegas, eu lembro me de auxiliares me questionarem porque é que eu queria brincar com bonecas, ou seja, quase que haver uma pressão 'oh Tomás, os teus amigos estão ali a jogar futebol vai joga com eles'.

Lembro me perfeitamente que aos meus 16 anos tinha duas formas de agir: uma forma de agir com os meus amigos mais próximos e com os meus pais e outra que ia mais ao encontro daquilo que eu via os meus colegas rapazes agir em sociedade. Eu adaptava-me e tentava silenciar algumas coisas em mim para ir mais ao encontro que era a 'norma'”, começa a revelar.

Depois, revelou um episódio perturbador que aconteceu numa casa de banho pública. “Estava numa festa e um senhor mais velho, e eu estava até com um amigo meu que também é ator, tínhamos ido à casa de banho e eu estava com um top e esse senhor disse-me, 'estás na casa de banho errada, este não é o teu sítio com esse top'. Pronto, depois foi escalando, escalando, escalando e dizendo coisas mesmo muito graves”, disse o jovem ator.

Na rua foi um rapaz, enquanto eu estava a sair à noite, eu passei também com as minhas amigas, estava com um top, e também me chamou uma data de nomes. Sempre ligado à homossexualidade, ou seja, tudo o que é pejorativo ou o que na cabeça deles é, são palavras como se gay é um insulto, para muitas pessoas ser gay é um insulto ainda. Era isso que ele me estava a chamar, entre outras coisas, mas aí ia partindo mesmo para uma agressão física.”, revelando outro momento perturbador.

Apesar da violência sofria, Tomás Taborda revela que “eu não tenho que pedir desculpa por ser eu e por usar aquilo que me apetece, eu não tenho que pedir desculpa por ter a expressão que é a minha expressão, eu não tenho que pedir desculpa por isso. E todas estas construções que nós desenvolvemos de crescermos com uma identidade, ou antes de termos uma identidade, termos uma personagem, essa minha personagem também era sempre baseada no desculpa, desculpa por estar aqui sentado, desculpa por estar a falar, desculpa por estar a usar esta roupa, desculpa por me expressar desta forma, desculpa, não te queria deixar desconfortável”.